Zapeando com… Steven Spielberg!

Eu e a minha mania de zapear. Na quinta-feira à tarde, passei pelo HBO Mundi e estava terminando Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Assisti a toda parte final, que praticamente prescinde de diálogo. Só a imagem e a música de John Williams. O retorno dos que partiram, e a frase de François Truffaut, como Lacombe, dizendo que inveja Richard Dreyfuss, que, ainda não sabe, mas foi escolhido para integrar o grupo que irá ao espaço com os alienígenas. Segui zapeando e, no Megapix, estava começando… E.T. – O Extraterrestre! Elliot/Henry Thomas leva o alienígena para casa, e começa a estabelecer comunicação com ele. Contatos foi o primeiro longa de Steven Spielberg após o estouro internacional de Tubarão. O filme repetiu o sucesso de bilheteria. Foi seguido pelo fracasso monumental de 1941 – Uma Guerra Muito Louca e outro grande sucesso, Os Caçadores da Arca Perdida, que lançou o emblemático Indiana Jones.

Foi legal rever as concepções de ETs de Spielberg. Em Hollywood, eles sempre vinham alimentar a paranoia do povo norte-americano, que a máquina de guerra e presidentes como Donald Trump souberam explorar. Os primeiros ETs de Spielberg eram do bem, mas em Guerra dos Mundos eles vieram para destruir. No quarto Indiana Jones, havia aquela entidade que aparecia no final. Faço uma pausa rápida. Liguei a TV e no É de Casa Fábio Porchat está lembrando que teve sua grande chance no programa de entrevistas de Jô Soares. Já o entrevistei tantas vezes, mas, como disse no post anterior, não via o programa do Jô. Nunca soube dessa história. Fábio estava na plateia, burlou a segurança e deixou na bancada o cartão dizendo que gostaria de apresentar um esquete de sua autoria. Jô chamou-o, Fábio, meio em estado de choque, começou a fazer as duas vozes, homem e mulher. A plateia ria, o Jô riu e Fábio descobriu ali, no ato, que era o que queria da vida – fazer as pessoas rirem.

A história, para dizer a verdade, me aparece arrumadinha demais, mas evoco meu mestre John Ford – Print the legend. Fábio nunca mais deixou de fazer rir, e nesta semana, com seu novo filme, O Palestrante, galga seu degrau talvez mais importante. O filme é realmente engraçado, só de muito mau humor alguém conseguirá passar por O Palestrante sem uma risada. Volto ao Spielberg. Havia escrito para o Estado online um texto sobre E.T., o filme, que, em 2022, completa 40 anos. Parabéns a você! A data exata teria sido 26 de maio, quando O Extraterrestre estreou no Festival de Cannes, ou 11 de junho, quando estreou nos EUA, ou ainda 27 de junho, quando foi exibido na Casa Branca para o então presidente Ronald Reagan, ou – ufa! – 17 de setembro, quando foi exibido na ONU, e Spielberg ganhou do então secretário-geral Javier Pérez de Cuellar a UN Peace Medal.

Só para lembrar – quando viu E.T., Claude Lelouch, meio sério, meio de brincadeira, havia lançado o nome de Spielberg para o Nobel da Paz. A Academia Sueca ignorou-o, mas a ONU reconheceu o que havia de humanista/pacifista no longa. Elliot e seus amigos fazem de tudo para que ET volte para casa – Home, e ele aponta aquele dedo para o céu -, o que também significa defendê-lo do establishment militar, que, no final de Caçadores, já se havia apropriado da Arca da Aliança, colocando-as naquele hangar imenso cheio de coisas – quais? – vedadas ao olhar do público. No Brasil, E.T. entrou em 25 de dezembro de 1982. Foi para o Oscar, mas perdeu para outro ET, o Gandhi de Richard Attenborough, cujo pacifismo também não era desse mundo. Graças ao sucesso de suas fantasias com alienígenas, e de filmes de ação como os da série Indiana Jones, Spielberg foi rotulado pela crítica.

Teria a síndrome de Peter Pan, ou seja, seria um adulto que se recusava a amadurecer. Spielberg fez todos aqueles filmes para mostrar que não – Império do Sol, A Cor Púrpura, A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, os dois últimos vencedores dos Oscars de direção de 1993 e 98. Spielberg nunca abriu mão de seguir com suas fantasias e filmes de aventuras, mas, no biênio 2004/2005, fez três filmes que terminaram por compor sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro. Sem que uma só palavra seja dita sobre o ataque às torres gêmeas,. O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique compõem a mais sólida e crítica análise das consequências doaquele ataque do terror na vida dos norte-americanos. Tive o privilégio de entrevistar Spielberg, uma one a one, em Cannes. Concedeu-me o dobro do tempo acordado. Puxei o assunto da ressurreição do E.T. – de Cristo?

Ele riu – sua mãe judia teria uma síncope. O próprio Spielberg tem feito do Talmude, o texto central do judaísmo rabínico, a sua bússola. A vida de um homem vale a de todos os homens – Soldado Ryan. E Golda Meir, em Munique, ao comando que tentará resgatar os atletas de Israel reféns do terror na Olimpíada de Munique – “Mantenham a ética, cuidado para não se equipararem aos nossos inimigos.” Respeito muito Spielberg. Com ele, espero sempre, e muitas vezes sei que vou ser maravilhado. Adiante, no post, citei as datas de lançamento de E.T. Nenhuma delas tem a ver com o período de agosto, que estamos vivendo. Então, por quê? Agora? Começou nesta semana, no Shopping Pátio Higienópoilis, um evento comemorativo dos 40 anos de E.T., que ocupa os 250 metros quadrados do hall central do prédio. A parceria é do shopping com a Universal, empresa que produziu E.T.

Só para lembrar, Spielberg havia levado o projeto à Columbia, e um alto executivo da casa não viu potencial comercial na história. Declinou. Ainda não fui ao Shopping Higienópolis, mas, pelo que estou sabendo, o ponto alto é o voo de bicicleta quando Elliot, carregando o ET, passa pela Lua de fundo e a imagem icônica virou o logo da produtora de Spielberg, a Amblin. Lá vou eu para a rua. Ainda não sei o que vou ver após o almoço, mas pretendo rever Teorema, no fim da tarde, na retrospectiva do Cinesesc, emendando com teatro, à noite.

Autor: Luiz Carlos Merten

jornalista

Uma consideração sobre “Zapeando com… Steven Spielberg!”

  1. Amigo, acho que sou esse mau humorado. Não acho graça… E Spielberg, é piegas demais. Ufa! Queria ser como você que está sempre antenado e vê até TV… Boa tarde. Bom cinema e teatro. Hoje vou ao jogo do Botafogo. Semana que vem, ao teatro (voltei a ir, de tanto que você fala de teatro neste blog de cinemas, rs). Abç.

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