Paradise e Tudo, em Todo Lugar. Até no Trem-Bala de Brad Pitt. A Japanimation e Fuqua, que me fazem pensar

Assisti nesta semana, em sessões à noite, a dois filmes que viraram cults na cidade. Estão em cartaz já há algum tempo, e com bom público. Paradise – Uma Nova Vida e Tudo, em Todo Lugar, ao Mesmo Tempo. Davide del Degan dirige a história de Calogero, que entra para o programa de testemunhas e vai parar num hotel numa região remota, gelada. Hospeda-se no mesmo hotel o cara, também Calogero, que ele denunciou – testemunhou seu crime – e agora pensa que veio para se vingar. Estabelece-se, entre os dois, uma ligação, digamos inusitada, e íntima. Não entendi o motivo de tanto entusiasmo por parte do público, mas vamos em frente. Daniel Kwark e Daniel Scheinert – os Daniels – dirigem Michelle Yeoh, que transita pelo multiverso tentando derrotar a vilã que, ela descobre, encarnou do ladinho dela, em sua filha. Está todo mundo encantado com os Daniels, pela coragem deles de fazer um filme que desafia regras, normas e vai até o limite de sua proposta.

Por limite, entenda-se estender-se por mais de duas horas e dar a impressão de que está terminando um monte de vezes, mas não. Achei um porre, permeado de piadinhas óbvias para que a plateia se considere inteligente. Aliás, é o que também ocorre em Trem-Bala, que está estreando nesta quinta. Brad Pitt entra naquele trem que talvez seja o multiverso dele. Em cada vagão encontra alguém que foi contratado para matar, ou que, por sua vez, pretende matá-lo. A grande piada do filme é que Ladybug, como Pitt é batizado pela mulher que o contratou, considera-se azarado, mas, no limite – sempre o limite -, é um sujeito de sorte, como irá descobrir. O filme tem participações de Ryan Reynolds, Sandra Bullock, etc. Baseia-se no romance japonês Maria Beetle, publicado em inglês como Bullet Train, de Kotaro Isaka. Vou fazer uma pausa.

Sabia que ia encontrar minha amiga Anna Luiza Muller na junket de O Palestrante, vejam post anterior. Pedi-lhe que me trouxesse, se encontrasse, algumas revistas de cinema francesas que não chegam ao Brasil. Anna estava passando férias em Paris, chic, não? Ela me trouxe uma Première que recomendo. Merece virar item de colecionador. É uma edição especial de julho-agosto de 2022, nº 18. La Japanimation dans Tous Ses États, A Animação Japonesa em Todos os Seus Estados. Tudo o que você queria saber sobre o surgimento e o desenvolvimento da animação japonesa, sobre o anime, as séries e filmes cults, e muito especialmente uma relação de 20 obras-primas à voir à tout prix – a ver de qualquer jeito -, para poder se considerar por dentro do assunto. Se quiserem poderei usar um próximo post para listar as 20+.

De volta ao diretor David Leitch, é o mesmo de Atômica, Deadpool 2 e Velozes e Furiosos – Hoggs & Shaw. Faz um cinema cheio de gracinhas metalinguísticas que já haviam sido levadas ao limite por Richard Quine e Philippe De Broca em filmes como Quando Paris Alucina e O Magnífico. Estou falando de filmes de 1963 e 73, ou seja, com quase 60 e 50 anos, respectivamente. Muito mais velhos do que os jovens que estão descobrindo agora essas firulas. Mas o filme me deu o que pensar. É muito bem montado, num relato que avança e recua no tempo, cheio de surpresas, algumas, a bem da verdade, boas. Toda a história do veneno da cobra é divertida, e claro que homenageia Quentin Tarantino, quando Daryl Hannah leva ao motorhome de Michael Madsen a valise cheia de dinheiro. (A sombra de Tarantino paira sobre a violência do filme.)

Só nos créditos finais descobri que é produzido por Antoine Fuqua, e quem é assíduo do blog sabe que não me canso de elogiar o diretor de Rei Arthur, O Protetor e Sete Homens e Um Destino, justamente pela bravura de certas cenas que cada um desses filmes tem, e que são espetacularmente montadas. A batalha no gelo, Denzel Washington invadindo o QG do mafioso russo e Denzel, de novo, e seus profissionais que enfrentam os emissários intimidadores que vêm apresentar o ultimato de Peter Sarsgaard aos moradores da cidadezinha do Velho Oeste. Fiquei pensando até que ponto Fuqua terá influenciado a montagem de Trem-Bala. Seja como for, fui fazer uma pesquisa – sobre o Leitch – e encontrei os horários do filme. Trem-Bala deve ter entrado em mil salas, ou mais. Só em São Paulo a relação de salas e horários é interminável. O ex de Angelina Jolie junta-se a Tom Cruise – Top Gun/Maverick – para tentar salvara indústria, em crise na pandemia (que ainda não acabou).

Autor: Luiz Carlos Merten

jornalista

Uma consideração sobre “Paradise e Tudo, em Todo Lugar. Até no Trem-Bala de Brad Pitt. A Japanimation e Fuqua, que me fazem pensar”

  1. Amigo, todo cinema, ainda mais o norte-americano me parece: ” Achei um porre, permeado de piadinhas óbvias para que a plateia se considere inteligente”. Poxa, nada sei deles: ” listar as 20+”. E ah, você é o cara que vê preciosidade do muitas gente, Antoine Fuqua é um deles.

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